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Música e Vinho

E siga a festa!


FESTA (Casal Garcia)

Despe e Siga 
Despe e Siga, 1994




Comprei uma garrafa de Casal Garcia,
Para beber mais a Maria
Preparamos uma festa
Hoje é noite de folia
Já temos fados e guitarradas
Temos vinho e sardinhadas
E a Sandra com o seu acórdeão
Dá os acordes no refrão
REFRÃO
Venham daí rapaziada
Começa a festa não tarda nada
E esta noite é sempre a abrir
Porque pró ano
Ainda está pra vir
Já sobe o vinho,
Temos paródia
E a banda toca uma rapsódia
Berra o fadista, de cima do palanco
"Eu só quero que me saia branco!"
É copo cheio e siga a dança
E até os velhos esquecem a pança
E o bairro está todo em alvoroço…
Está tudo grosso, está tudo grosso
REFRÃO
Anima a festa pela madrugada
Chega a polícia para dançar a lambada
Grandes alhadas e grandes rambóias
Já há tourada e belas bóias.
Só fico eu, mais a Maria
Com a garrafa de Casal Garcia
E a Sandra com o seu acórdeão
Dá os acordes no refrão
REFRÃO


Música e Vinho

Quando janto em restaurantes
Deolinda, Dois selos e um carimbo, 2010





Quando janto em restaurantes
com o meu grupo de amigos
todos me pedem que eu cante
e eu adio o seu pedido.
- Canta lá só num instante!
- Mais daqui a um bocadinho...

Trazem o primeiro prato
e mais vinho para a mesa
e pedem que eu cante um fado
e eu adio a surpresa...
- Anda lá, é só um fado!
- Só depois da sobremesa...

REFRÃO
Ora vai acima, ora vai abaixo
ora vai ao centro, desta já me safo.
Desta já me safo, mas eu não me livro.
Ora bota abaixo, ora volta ao cimo.

Vem nova dose de vinho
e a segunda pratada
eles apertam comigo
para mostrar a minha garra.
- Vá lá canta um fadinho!
- Faltam-me aqui as guitarras...

A sobremesa é servida
entre um monte de garrafas
pedem-me uma conhecida
improvisam a guitarra.
- Canta, não sejas vendida!
- Eu já canto daqui a nada...

REFRÃO

Eu insisto com a nega
eles insistem com o pedido
e eis que o café chega
entre dois copos de vinho.
- Canta lá que é pr'á sossega...
- Eu canto já num instantinho...

Encolhida no meu canto
à pancadaria assisto
é que eles bebem tanto
e querem pagar poucachinho.
É então que eu me levanto
e lá me escapo de mansinho...

REFRÃO
Desta já me safo, eu já me livrei!
Ora bota abaixo, esta eu já cantei!




Música e Vinho

EM DESTAQUE...

Vinho do Porto
Carlos Paião, 1983




Primeiro a serra semeada terra a terra
Nas vertentes da promessa, nas vertentes da promessa
Depois o verde que se ganha ou que se perde
Quando a chuva cai depressa, quando a chuva cai depressa

E nasce o fruto quantas vezes diminuto
Como as uvas da alegria, como as uvas da alegria
E na vindima vão as cestas até cima
Com o pão de cada dia, com o pão de cada dia

Suor do rosto pra pisar e ver o mosto
Nos lagares do bom caminho, nos lagares do bom caminho
Assim cuidado faz-se o sonho e fermentado
Generoso como o vinho, generoso como o vinho

E pelo rio vai dourado o nosso brio
Nos rabelos duma vida, nos rabelos duma vida
E para o mundo vão garrafas cá do fundo
De uma gente envaidecida, de uma gente envaidecida

REFRÃO
Vinho do Porto
Vinho de Portugal
E vai à nossa
À nossa beira mar
À beira Porto
À vinho Porto mar
Há-de haver Porto
Para o nosso mar

REFRÃO
Para o desconforto
Para o que anda torto
Neste navegar

Por isso há festa não há gente como esta
Quando a vida nos empresta uns foguetes de ilusão
Vem a fanfarra e os míudos, a algazarra
Vai-se o povo que se agarra pra passar a procissão

E são atletas, corredores de bicicletas
E palavras indiscretas na boca de algum rapaz
E as barracas mais os cortes nas casacas
Os conjuntos, as ressacas e outro brinde que se faz

Vinho do Porto vou servi-lo neste cálice
Alicerce da amizade em Portugal
É o conforto de um amor tomado aos tragos
Que trazemos por vontade em Portugal

Se nós quisermos entornar a pequenez
Se nós soubermos ser amigos desta vez
Não há champanhe que nos ganhe
Nem ninguém que nos apanhe
Porque o vinho é português

REFRÃO

Música e Vinho

EM DESTAQUE...

Já estás com os copos
Rouxinol Faduncho
Formidável Bigode, 2012



Ah, isto faz-me lembrar a Argentina!... 
Que saudades que eu tenho da Argentina!...
(Argentina Santos forever)
Guiné… Tenho uma tatuagem a dizer isso…
Argentina Santos…

Aqueles que falam alto
Outros vêem a dobrar
Uns esbardalham-se no asfalto, com garrafas de Planalto,
Outros não param de chorar.
(Uns esbardalham-se no asfalto,
Outros não param de chorar.)

Acabam sempre com menos roupa,
No final já tudo fuma,
Há gritos, strip e miséria, qual peça do La Féria,
Mas a verdade é só uma!
(Há gritos, strip e miséria,
Mas a verdade é só uma!)

REFRÃO
Já estás cos copos,
Já estás cos copos, já,
Já estás com os copos,
Já estás, já estás! (2X)

E há sempre aquele génio
Que tem solução para tudo isso:
Um caldo verde para ensopar, uma hamburguesa para acordar,
Ou então um pão com chouriço.
(Uma hamburguesa para acordar,
Ou então um pão com chouriço.)

Alguém conte a esta gente,
Que vive a vida sempre em pleno,
Já não vê um boi à frente, são amigos de toda a gente,
E falam sempre em chileno.
(Já não vê um boi à frente,
E falam todos em chileno.)

REFRÃO
Já estás cos copos,
Já estás cos copos, já,
Já estás com os copos,
Já estás, já estás! (2X)

Depois metem-se num táxi,
Sem saber verbalizar,
Adormecem no caminho, o taxista é amiguinho,
Dá três voltas ao altar.
(O taxista é amiguinho,
Dá três voltas ao altar.)

E a ressaca do outro dia,
Mais parece um triste velório,
Mas nem tudo é malfado, o INEM não foi chamado,
Só chamaram o "Gregório"!
(O INEM não foi chamado - graças a Deus!
Só chamaram o "Gregório"!)

REFRÃO (2X)

Ó pra isto, viste?
Ó pra isto… Ah, Argentina outra vez, pá!

Música e Vinho

EM DESTAQUE...

Dez lamúrias por gole
Ornatos Violeta,
Inéditos | Raridades, 2011















Isto é só um copo
Eu não bebi de mais

Achei que era diferente
E são todas iguais
Escrevi canções sobre ela
Mil noites sem fim
Deixou-me neste bar
A cantá-las pra mim

Doce uhhh uhhhhhh uhhhhhh uhhhhhh uhhh

Eu bebo da garrafa
Tomo um gin de manhã
Se o príncipe era o sapo
Ela devia ser rã
Eu amo quem eu sei que não me vai amar
Mas só assim me dá vontade de cantar

Doce uhhh uhhhhhh uhhhhhh uhhhhhh uhhh
Mas a dor insiste
Não dá pra esquecer
Mas o peito insiste
E não a deixa morrer
E eu não vou deixar de beber
Como gin
E para estar sóbrio não basta
Só pensar em mim
Ah ah
Não era isto qu'eu queria ser
E o que me deixa mal é o que me faz viver
Sinto a roupa fria e o corpo dorido
Sinto o cheiro a vinho mesmo sem ter bebido nada

uhhhh uhhhhhh uhhhhhh uhhhhhh uhhh

Isto é só um copo
A boca já me arde
O homem varre o chão e diz que já é tarde
"Senhor só (bon voyage) é hora de fechar"
A lua é a mulher que hoje vou abraçar


Doce uhhhh uhhhhhh uhhhhh uhhhhh uhhhhhh